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quinta-feira, 10 de março de 2011

Nós vimos - RANGO

Após quebrar o recorde deste ano nos EUA de maior bilheteria de estreia num fim de semana sem feriado (foram US$ 38 milhões no sábado e domingo), "Rango" chegou ontem às salas brasileiras e o Papo Animado foi conferir de perto. Sem entrar na febre dos óculos 3D, o longa da Nickelodeon Movies e Industrial Light & Magic (ILM) apostou numa atração ainda mais popular: Johnny Depp, que dublou o protagonista. E acertou.


Ok. Eu vi a versão dublada em português e não posso avaliar o desempenho de Depp à frente de Rango, mas é notório que o astro hollywoodiano foi a fonte de inspiração para a criação da personagem principal ("Rango" é mais uma parceria entre o diretor Gore Verbinski, de "Piratas do Caribe", e Johnny Depp). A começar pela escolha do animal protagonista: um esquisito e desengonçado camaleão. Tudo a ver com o versátil e excêntrico ator.

A animação é bem feita e não há como não imaginar que Johnny Depp está, ali na tela, interpretando Rango (a equipe de animação incorporou, no desenho, os trejeitos que os atores criaram para suas personagens). Essa estreita relação entre personagem/ator deve ser suficiente para atrair um bom público.

Visualmente, o longa é muito bem elaborado e diferente. Em Rango não há espaço para personagens fofinhos como nos últimos sucessos de bilheteria “Toy Story 3” e “Como Treinar seu Dragão”. Vide o protagonista, as personagens são esquisitas e desengonçadas, a maioria feias mesmo. Mas tudo em perfeita sintonia com um clima faroeste. A textura do filme é também elogiável. Tudo é muito seco, amarelado, escamoso. Rango é também um filme divertido. Recomendado.

Sinopse:

Rango é um camaleão de estimação que passa os dias, sozinho, imaginando aventuras dentro de um aquário (o camaleão é metido a roteirista e ator e seus melhores amigos/colegas de atuação são um peixinho de plástico e uma boneca sem cabeça). Durante uma viagem com sua família, o aquário cai para fora do carro, no meio do Deserto de Mojave. Fugindo de predadores, Rango vai parar, por acaso, no povoado de "Poeira", a última vila do Oeste.

Lá, o camaleão, com seu jeito desastrado, resolve encarnar a personalidade de um valentão do Oeste (a pergunta “Quem sou eu?” é um drama existencial que persegue o camaleão durante todo o filme). Com muita sorte, Rango se sai bem e é nomeado xerife da cidade. É com a estrelinha no peito que o lagarto começa a entender os problemas que assolam os moradores de “Poeira” e tem a oportunidade de construir sua própria história.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Nós vimos! – Enrolados

Por que, afinal, eu não vi em 3D?

Depois de tanto tempo em cartaz, neste fim de semana, eu finalmente pude ver a nova versão da Disney para a fábula de Rapunzel, Enrolados (Tangled, 2010). É claro que nenhum cinema da minha região ainda estava exibindo o longa em três dimensões. Mas eu pensei, “Ah, que diferença faz... Volta e meia pago mais caro pra ver em 3D e quase sempre não é lá grande coisa”. Como eu estava enganada. Em diversas cenas eu só conseguia imaginar como ver aquilo em 3D (bem feito) seria maravilhoso. Obviamente, não tenho como avaliar se o filme em três dimensões foi assim tão bom, só tenho como imaginar. Mas levando em consideração o padrão Disney de qualidade, e a qualidade da imagem com direito a texturas maravilhosas que vi em 2D, minha imaginação só me deixa com inveja de quem viu tanto cabelo em 3D.

Enrolados é um filme leve, uma adaptação bem descontraída e moderninha (apesar de ainda se passar em tempos antigos) de Rapunzel. Tem as piadas inteligentes e curtas das novas animações e a beleza dos longas clássicos da Disney. Como fábula que se preze, tem moral da história, mas sem ser chato. Como animação da Disney que se preze, é recheado de musiquinhas e cenas cantadas, mas é um recheio gostosinho e divertido, não daqueles que enjoam. O refrão “Sua mãe sabe mais” gruda no seu cérebro por pelo menos três dias, mas você canta feliz.

Rapunzel é doce e violenta, ingênua e impulsiva, feliz e com sentimento de culpa, donzela e heroína. Tudo ao mesmo tempo. Genial é vê-la em ação com uma frigideira, ou tendo uma crise de bipolaridade ao sair de sua torre depois de 18 anos trancada. Seu cabelo mil e uma utilidades é seu charme, arma, desgraça e salvação. Já seu “salvador” Flynn Rider é o típico canastrão-aproveitador, que na verdade é só um piadista inveterado e boa vida, que na verdade é um bom moço incompreendido.

Com Flynn a adaptação para o Brasil pecou um pouco. Quando ele confessa seu nome verdadeiro - José Bezerra – não há a menor graça. Ao que parece, seu nome original, Eugene Fitzherbert, não foi uma piada tão boa em português. Outro pecado foi escolher Luciano Huck para dublá-lo. Três motivos:
1 – Quando ele fala “loirinha” para se referir à Rapunzel, você só consegue pensar na Angélica. (apesar de, provavalmente, esta ter sido a intenção, não ficou legal)
2 – Ele não canta as músicas de Flynn (o que muitos dubladores também não fazem), mas a voz escolhida para cantar em seu lugar não tem absolutamente NADA a ver com a sua.
3 – Ele não alterou em nada a sua voz original para interpretar o personagem, e permanece com todos os seus cacoetes de dicção. E, como é Flynn que narra o filme inteiro, toda hora eu ficava esperando ele falar “Estamos de volta com o Caldeirão”.

Enfim, pra mim foi uma péssima escolha. Só posso concluir que escolheram o Luciano Huck para dublar Flynn Rider porque em todos os seus cartazes de “procurado” seu nariz sempre é desenhado anormalmente maior que o original. Todo o restante trabalho de dublagem é impecável, em sua maioria composta de renomados dubladores profissionais, mas alguns “famosos quem?” também, como a atriz e cantora Gottsha, que faz com perfeição as vezes da mãe falsa de Rapunzel, Gothel.
Há pouco tempo o Papo Animado fez um Top 10 de personagens que não falam, mas se expressam perfeitamente bem. Bom, talvez devêssemos revê-lo, porque Maximus (o cavalo branco inimigo que se torna amigo) e Pascal (Sapo não, camaleão!) são um show a parte em Enrolados. Impossível você não rir em qualquer cena que qualquer um dos dois apareça.
Recomendo o filme a qualquer criança, adulto-criança, ou simplesmente qualquer um que queira se divertir. Se você gosta de Disney, não vai se arrepender.

Pra quem ainda não viu (ou quer ver de novo) fiquem com o trailer:

PS.: Notem que o dublador do Flynn no trailer não é o Luciano Huck (e fica bom!)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dragões ou brinquedos?

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Confesso que foi com certa surpresa que vi “Como Treinar seu dragão” (DreamWorks) ser eleito o melhor longa metragem de animação pelo júri do Annual Annie Awards, superando Toy Story 3 (Disney Pixar). Na verdade, ainda não digeri bem a novidade.

Os dois filmes tem até coisas em comum. A amizade de Banguela e Soluço é tão bonita e cativante como a de Buzz e Woody. Mas Toy Story 3 é, para mim, o que houve de melhor no cinema em 2010. É mais divertido e de uma emoção mais intensa que até o primeiro filme da série (e do que seu concorrente).

Resolvi então deixar a birra de lado (ela ainda não passou) e tentar enumerar os pontos fortes de “Como treinar seu dragão” que podem ter feito o diferencial para o júri. E cheguei a conclusão de que a produção da DreamWorks não dá para rivalizar com a turma dos brinquedos nos quesitos diversão, entretenimento, enredo e comoção. Mas é um filme visualmente exemplar.

No longa, são representadas várias espécies de dragão, desenhadas de forma bastante caricatas. Cada uma delas solta pela boca um tipo diferente de fogo (as imagens inflamáveis são muito bonitas). A luminosidade nessas cenas são muito bem tratadas. Os vôos de Banguela também são lindos, com destaque para a textura das nuvens e do mar nórdico.

“Como treinar seu dragão” também conta com personagens fortes. Soluço é o adolescente em fase de afirmação. E Banguela é quase um gato. A expressão dos seus olhos é muito bem trabalhada e tem uma personalidade inicialmente arredia que beira o temperamento de Stitch.

No dia 27 os concorrentes voltam a se enfrentar na entrega do Oscar. Boas chances de revanche para Toy Story, que além de concorrer como melhor longa de animação, está cotado também para melhor filme do ano. É muita moral. E confesso. A torcida estará com os brinquedos.